sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
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RPMG4 - REFINARIA DE PETROLEO MANGUINHOS
Após liderar altas na Bolsa em 2011, Manguinhos quer fazer parte do Ibovespa
Ações da Refinaria, que saiu de recuperação extrajudicial, dispararam 110% no ano passado. Empresa pretende ser centro logístico
Aline Cury Zampieri, iG São Paulo | 06/01/2012 05:55
A Refinaria de Petróleo Manguinhos quer entrar no Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Paulo Henrique Menezes, presidente da empresa, disse em entrevista exclusiva ao iG que a companhia já atende aos requisitos exigidos para participar do indicador. “Já temos, por exemplo, volume suficiente de negociação. Só não entramos na última revisão porque estávamos em recuperação extrajudicial”, afirmou. Menezes se reuniu nesta quinta-feira com representantes da BM&FBovespa para discutir o assunto.
Leia também: Petróleo, energia e café, os campeões de retorno em 2011
A entrada no Ibovespa é representativa de um processo de recuperação da empresa que já dura três anos e que levou a uma alta de 500% nas ações da empresa em 2010 e de 110% em 2011. O presidente da companhia afirma que a ideia é fazer de Manguinhos um complexo de apoio logístico para o pré-sal no Rio de Janeiro, diminuindo a fatia da refinaria no total do faturamento. “Atualmente, o refino responde por 92% da receita da Manguinhos. Queremos chegar a menos de 50% em dois anos”, disse.
Em dezembro de 2008, a refinaria Manguinhos foi comprada pelo Grupo Andrade Magro, por meio da Grandiflorum Participações. A empresa estava em recuperação judicial desde novembro daquele ano. Depois de conseguir renegociar dívidas com credores, anunciou a suspensão da recuperação em julho de 2011.
A companhia também não processava petróleo bruto desde 2006. “As instalações da refinaria são de 1954”, conta Menezes. “Tinha equipamentos antigos e o consumo de energia era grande, para processar um petróleo pesado”, afirma. O grupo, então, decidiu investir na fábrica e eliminou a unidade de produção que consumia muita energia.
A refinaria passou a processar petróleo mais leve. “Compramos um forno mais caro e uma caldeira nova”, cita, entre as melhorias que foram efetuadas. Parte do dinheiro veio do Grupo Andrade Magro, e outra parcela de dois financiadores internacionais, cujos nomes Menezes não revela. A garantia para os empréstimos é o próprio produto refinado. Os financiamentos garantem quase 80% do capital de giro. O restante vem de capital próprio.
Pré-sal, o grande chamariz
Mas, apesar de todas essas melhorias, a estratégia da Manguinhos é deixar de ser quase que totalmente uma refinaria para se transformar em um centro de logística para o pré-sal. “Temos a segunda maior área de tancagem privada do Brasil, com um espaço de 215 mil metros cúbicos”, conta Menezes. “E podemos dobrar essa capacidade em pouco tempo.”
Segundo ele, o petróleo extraído precisa primeiro ser tratado e filtrado, com retirada de água e impurezas, para depois ser vendido. E é essa capacidade de armazenagem, com duto ligado à Baia de Guanabara, que a Manguinhos quer vender aos clientes. “Temos também quadros de boias para receber navios”, diz.
Resultados e alta em Bolsa
Menezes diz que o grupo Manguinhos deve crescer 75% em 2011. Os números oficiais ainda não foram fechados. “Faturamos R$ 1,35 bilhão em 2010 e devemos fechar o ano passado com R$ 2,35 bilhões.” Os investimentos previstos para o biênio 2012/13 ficam entre US$ 200 milhões e US$ 250 milhões. A Manguinhos, que teve prejuízo de R$ 160 milhões em 2010, fechou setembro de 2011 com lucro de R$ 2,3 milhões.
Para Menezes, as melhorias operacionais e a percepção dos investidores em relação à localização da empresa estão entre os fatores principais para a forte alta das ações da empresa nos dois últimos anos. Em 2011, os papéis com direito a voto dispararam 110%, liderando a lista dos 115 mais líquidos da Bovespa. Em 2010, as ações dispararam 502%.
Confira o infográfico do pré-sal
Ele também conta que a melhoria da percepção da empresa fez com que dois fundos ingleses e dois “nacionais grandes” entrassem comprando as ações. O presidente não revela quais são esses investidores.
Além das explicações da empresa, analistas lembram que há rumores sobre a compra da empresa por Eike Batista. Segundo o colunista Guilherme Barros, em outubro faltava apenas um detalhe para o empresário comprar a Refinaria: a instalação de uma UPP na região, conhecida por altos índices de violência. Rumores de compra normalmente fazem papéis disparar.
Sobre as conversas com Eike, Menezes se limita a dizer que a empresa é interessante e, por isso, frequentemente procurada por investidores. “Posso dizer, por exemplo, que conversamos com várias empresas nacionais e multinacionais a respeito de parcerias, o que sempre gera rumores.”
Cobertura
Apesar de ter melhorado seus níveis de negociabilidade, a Maguinhos praticamente não encontra cobertura de analistas de ações. A situação é semelhante à de várias outras companhias listadas em Bolsa.
Rodolfo Amstalden, da Empiricus, afirma que não cobre a empresa, entre outros motivos, porque suas ações estão muito sujeitas ao varejo especulativo. Lembra também que, em função da recuperação extrajudicial, a Manguinhos ficou algum tempo devendo informações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O analista comenta ainda que, apesar do espaço para tancagem e do refino, a companhia é pequena demais para concorrer com as grandes refinarias, sobretudo Petrobras. Além disso, as parceiras anunciadas, como o memorando de entendimentos fechado recentemente com a comercializadora Trafigura, ainda não têm potencial para mexer com os fluxos de caixa futuros, de acordo com o especialista.
Saiba mais:
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A Refinaria de Manguinhos alia tradição e modernidade. Em 2008, quando foi adquirida pelo Grupo Andrade Magro, através da empresa Grandiflorum Participações, reiniciou seus projetos, proporcionando crescimento e novos investimentos para o país.
Um dos projetos prioritários da Refinaria de Manguinhos é o lançamento do seu biodiesel no mercado. Não há, ainda, no Estado do Rio de Janeiro, nenhuma outra planta de biodiesel em operação, enquanto a de Manguinhos está pronta para ser ativada, em curto prazo. A capacidade da unidade será de 120 milhões de litros, volume capaz de atender a necessidade de todo Rio de Janeiro.
A Refinaria já opera grande parte de seu parque industrial através do refino e produção de combustíveis e solventes. Além disso, encontra-se em fase de desenvolvimento o projeto de integração logística, que se apresenta como uma alternativa importante para toda a cadeia de produção e distribuição de derivados de petróleo.
Todo esse processo de renovação pelo qual a Refinaria de Manguinhos vem passando representa a geração de novos negócios e, consequentemente, de novos empregos.
METAS DE MODERNIZAÇÃO
• Início da operação da Unidade de Biodiesel;
• Construção de um Terminal Marítimo para interligar Manguinhos à Baía de Guanabara;
• Modernização de suas instalações, para intensificar a produção de gasolina, destilados e solventes especiais.
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Marcia Peltier
Segredo milionário
Que Eike Batista anda animadíssimo com a possibilidade do seu grupo começar a produzir petróleo em águas brasileiras, no máximo até abril, todo mundo sabe. Mas o que está deixando o empresário realmente nas alturas, segundo se especula, é que o custo total para a extração será bem inferior ao de mercado, o que dará um brilho especial ao saldo bancário do milionário. Essa vantagem também poderá atrair investidores estrangeiros para a empreitada.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
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EXPECTATIVA 2012: Manguinhos pode driblar propostas e entrar em produção
Agência Leia
São Paulo, 5 de janeiro de 2012 - Muitos rumores de mercado giraram, em 2011, em torno da venda da Refinaria Manguinhos para o Grupo EBX, do empresário Eike Batista. No último ano, também teria ocorrido uma eventual proposta do Grupo Cosan, por meio da Raizen, sua joint venture com a Shell, para a compra da refinaria.
Para 2012, porém, a expectativa é que a empresa resista às propostas e se aventure na produção de petróleo. Esse novo passo, de acordo com fontes do mercado, aconteceria por meio de associações com empresas já produtoras, como a própria OGX.
"São planos ambiciosos. Resta saber se a empresa terá condições, caso esses rumores sejam reais. Provavelmente terá que ir ao mercado buscar recursos", comentou uma fonte do mercado.
Maria Domingues / Agência Leia Edição: Eliane Leite Copyright 2011 - Agência
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